Peregrinação à Memória é esta iniciativa que começa bombeado pelo pulmão da estética no seu sentido mais elevativo e realizador e acaba com um conjunto de obras na caixinha branca do Centro Cultural Português, mas sem lhe retirar os ventos da contemporaneidade africana que sempre esteve na Génesis do seu nascimento das costelas estético-artísticas do artista plástico angolano GONGA. O mesmo faz questão de colocar em cada uma das obras que apresenta na sua peregrinação, um pedaço da sua vida e da forma como encara e entende esta constelação vivencial que é o nosso globo, partindo da nossa realidade geográfica Angola e num diálogo permanente com todas as diásporas existenciais sem olhar para fronteiras nem perspectiva se coloca em linha com esta abordagem simples e muito apelativa que toca na dorso-espinal da vida com verdadeira incisão.
O presente projecto dialoga com outras provocações, no bom sentido, do artista Gonga, de uma forma muito subtil que, só mesmo com uma leitura muito próxima e iluminada com os mais perenes valores da idiossincrasia da africanidade e da arte que corre nas veias de quem a aprecia, se pode descobrir e desvelar todos os segredos e enigmas aí escondidos. Mais do que uma simples forma de fazer arte, usando do melhor que GONGA possui, ele faz aqui um interessante exercício como que de um ciclista colocado numa prova de resistência e que tem de passar por várias dificuldades e privações para abdicar de determinados prazeres da vida e dar corpo a uma arte que verdadeiramente se propões ao sentido mais elevativo e espiritual que toque, assim o entende, o mais profundo do âmago das pessoas e dos seus principais apreciadores.
para que a arte tenha o seu valor como ferramenta de mudança e elevação enquanto riqueza material que é, ao mesmo tempo portador de uma carga espiritual que dialoga de forma directa com a sociedade e com a pessoa enquanto ego singular e com a sua perspectiva particular, tem de circular, antes mesmo de chegar em forma de peça de pintura, escultura ou outra, no circuito sagrado do artista como forma de iniciação e só quando estiver em condições e na fase adulta pode ir para os circuitos mais abertos e nas plataformas transbordacionais dos afluentes comerciais e ou colecionativos.
O presente projecto é, também, uma forma pedagógica de se chegar aos estudantes e levar às salas de aulas da escola média de arte, bem como do superior e fazer dela um bom exercício prático de inserção na vida profissional, finalmente pensamos que recomenda-se, ainda que seja para uma simples espreitadela e no final deixar um comentário do que vio e como gostaríamos que aparecesse o que no nosso entender motivará outras discussões em outros lugares e plataformas e no final ganhará, certamente a nossa arte e a nossa cultura.
Gilberto Dune Capitango: Professor de História de Arte no ISART/ Sub-Director Pedagógico no CEARTE-2017
Às vezes é difícil entender a personalidade de GONGA, quando se liga e se quer contactar o artista para negocial, dialogar a volta da sua obra e ele simplesmente não está lá como se sugerisse certo desprezo às pessoas, porém não condiz definitivamente com a verdade, apenas uma forma de estar na vida, porque depois de muitos tombos e situações que viveu neste percurso de várias décadas ao serviço da cultura e das artes que muito ama, tem sentido e responsabilidade suficiente para colocar no que faz e na forma como lida com as pessoas a sua marca, foram muitos os tombos e desilusões que pelo contrário lhe deram força e estaleca que hoje confortavelmente pode lidar com às pessoas de forma coerente e livre de qualquer compromisso que não seja no sentido arte e do seu impacto na vida das pessoas. Ele entende ainda que
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